Os cristãos na sua grande
maioria apregoam a mensagem de que são pessoas
livres ao passo que outros que não são evangélicos dizem que os “crentes” não
têm liberdade, pois são privados de fazer certas coisas como dançar por
exemplo. Realmente algumas igrejas impõem regras de usos e costumes, doutrinas
eclesiásticas ensinadas e cobradas aos seus membros que são passivos de
disciplina caso não as cumpram. Por outro lado a Bíblia diz no Evangelho de
João, “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32) e mais
ainda, “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo
8.36).
Assim, a primeira pergunta que se faz
é: Os Cristãos evangélicos são realmente livres?
Na primeira epístola aos
Corintos no capítulo 6, versículos 19 e 20 Paulo diz: “Ou não sabeis que o
vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em voz, proveniente de Deus
e que sois de voz mesmos? Porque fostes comprado por bom preço; glorificai a
Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.
“Semelhantemente o apóstolo Pedro afirma: “Sabendo que não foi com coisas
corruptíveis como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de
viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas como o precioso sangue
de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado.
De acordo com os textos
escritos por Paulo e Pedro, acima citados, está evidente que os cristão aos
quais cada apostolo escreveu foram comprados, resgatados, então, por um
raciocínio lógico entende-se que essas pessoas antes estavam em uma condição de
venda. Parece estranho, mas à época em que foi escrito era comum o comércio de
pessoas vendidas como escravas, e, assim, esses servos de Cristo, escrevem algo
familiar aos seus destinatários para trazer ao entendimento dos seus leitores a
condição do homem diante de Deus, qual seja, cativo escravo.
Desse modo, a segunda questão que
se levanta é: O homem é escravo de quem?
A resposta é: Escravo do pecado e de Satanás.
A Bíblia deixa claro que
outrora o cristão fora escravo do pecado (Rm 6.20), e, consequentemente cativos
do diabo (1Jo 3.8), ou seja, por nascerem em pecado e viverem uma vida de
pecado, afastados de Deus (Sl 51.5; Rm 3.23), o seu senhor era o maligno.
Porém, os textos de 1Co
6.19,20 e 1Pe 1.18,19, mostra que os verdadeiros cristãos foram comprados,
resgatados, e, agora pertencem a outro Senhor, àquele que pagou o preço com seu
precioso sangue. Assim, o pecador, passa da condição de escravo de Satanás para
escravo de Cristo.
Com bem coloca ¹David Martyn Lloyd-Jones: “E, portanto, como
cristão, não somos livres; fomos comprados por Cristo. Pertencemos a Ele. Ele é
o nosso amo e Senhor. A ideia de que você crer em Cristo como Salvador somente,
e depois, talvez, anos mais tarde, possa ir adiante e tomá-lo como seu Senhor,
é uma negação das Escrituras. Desde o momento que ele o põe em liberdade , Ele
é o Senhor. Não somos nós que decidimos tomá-lo como Senhor. É Ele que, como Senhor nos compra naquele mercado e nos livra, e nós passamos a pertencer à
Ele. Nunca somos livres. Éramos servos cativos de Satanás; agora somos servos
cativos do Senhor Jesus Cristo.(Estudo da Carta aos Romanos, Exposição sobre o Capítulo 1, O Evangelho de Deus, pg. 51)
Mas os textos de João 8.32 e
36? De que liberdade se refere o apóstolo? A Bíblia não se contradiz, uma
análise mais cuidadosa dos textos, chega-se a conclusão que a liberdade aqui
diz respeito à mudança de posição, o homem está liberto do pecado e do diabo,
não mais pertence a eles, não serve mais ao sistema, foi resgatado desse lugar.
Agora está em outra condição, outro mundo, outro Senhor.
Então, a resposta à pergunta
inicial da propositura é: As pessoas nunca serão livres, sempre serão escravas.
Logo, a terceira e grande questão
final é: A QUEM VOCÊ PERTENCE?
Louvem a Deus os que pertencem
ao Senhor Jesus Cristo, porque a escolha de nos comprar foi unicamente Dele.
Amém!.
1. David Martyn Lloyd-Jones foi
um teólogo protestante na linha calvinista de origem galesa que foi influente
na ala reformada do movimento evangélico britânico no século 20. Por quase 30
anos, ele era o ministro da Capela de Westminster, em Londres