sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

IGREJA, O QUE É ISSO??

Por Romildo Coelho dos Santos

Os cristãos de hoje que vivem em um período de grande desenvolvimento tecnológico, apesar de serem de uma geração que mais tem possibilidades de obter informação em tempo real, incrivelmente surgem como mais ignorante geração de evangélicos no que tange ao conhecimento bíblico. E, não estamos falando de conceitos ou temas de difícil entendimento, a ignorância existe também em temas simples como o título acima.

O conceito de igreja não é difícil de ser citado pela maioria dos cristãos, porém o que queremos indagar não é se o povo cristão sabe de cor esse conceito, mas se realmente entende o que é a igreja de fato e o que ela representa.

Percebe-se, principalmente no meio evangélico, que a maioria acredita ser a igreja o local onde eles congregam, ou seja, a denominação onde se reúnem durante dias determinados na semana. Assim, também dizem que cada congregação é uma parte do “corpo de Cristo”. Será assim na prática?

Não são poucos os casos hoje em dia que quando um membro de uma denominação cristã sai de uma para outra passa a ser ignorado e não mais lembrado pelos “irmãos” daquela congregação que outrora participava, as visitas diminuem, os telefonemas e mensagens também.

Há ainda casos mais extremos, como quando o membro sai e não está “congregando” em nenhuma outra denominação, aí ele não é só ignorado, mas sim, rejeitado, não é mais saudado com a Paz do Senhor, passa na verdade a ser chamado de “desviado”.

Provavelmente você que está lendo esse artigo já ouviu sobre casos assim ou até mesmo possa ter visto. De forma que é perturbador percebermos que isso acontece com frequência, e, o que mais espanta é que atitudes assim são na verdade praticadas muito mais por cristãos antigos na fé, que conhecem as escrituras (ou pelo menos aparentam conhecer), que em muitos casos são líderes de ministérios ou fazem parte deles do que por cristãos novos convertidos.

Assim a pergunta surge de forma contundente: Igreja, o que é isso? Igreja no sentido etimológico da palavra, vem do grego (εκκλησία [ekklesía] através do latim ecclesia) que significa “chamados para fora”. No sentido bíblico igreja é um grupo de seres humanos escolhidos por Deus pela sua soberania e graça por meio de seu Filho Jesus Cristo e espiritualmente falando, igreja é o corpo de Cristo composto por aqueles que confessaram e creram na mensagem do Evangelho e foram salvos pelo sangue do cordeiro.

Partindo dessem conceito e fundamentado em textos bíblicos entendemos que todo aquele que faz parte da igreja independe de participar dessa ou daquela denominação, pois o corpo de Cristo (a igreja) é maior do que isso, muito mais abrangente não limitada a uma instituição ou templo construído de tijolos e concreto.

Assim, então, compreendemos que um membro de uma denominação quando decide sair desse espaço físico e ir para outro, não significa que o tal deixou de ser do corpo! Pois é impossível para aquele que foi colocado na igreja pelo seu verdadeiro dono que outro possa tirá-lo. De forma que jamais podemos ignorar ou deixar de considerar tais pessoas como irmãos.

O entendimento de tais argumentos é fortalecido e fundamentado nas funções e características da igreja, bem como na sua natureza, fundamentos que sem eles a igreja não pode ser considerada igreja no sentido bíblico. De forma que se faz necessário apresentarmos, mesmo que resumidamente tais fundamentos.

A Função da Igreja
Uma definição que traz em seu conteúdo as duas principais funções da igreja é expressado de forma sucinta por Rubens Muzio da seguinte forma:

“A igreja é o termo frequentemente usado no Novo Testamento para descrever um ajuntamento de pessoas que professam confiança em Jesus Cristo, que se reúnem para adorá-lo, buscando que outros se tornem seguidores, seus discípulos”. (MUZIO, Rubens Ramiro. O DNA da Igreja. Curitiba: Ed. Esperança, 2010. p. 81)

Assim, a primeira e fundamental função da igreja é adorar a Deus o Criador, foi para esse propósito que ela foi formada, adorar ao Senhor, dar-lhe a glória e honra devida a Cristo Jesus é seu principal papel aqui na terra. Como bem expressa Alan Basílio: “Se a igreja não é Cristocêntrica em seu cotidiano, ou seja, se todos os dias dela não são para a glória Daquele que a chamou e a levantou, ela perdeu sua finalidade”.

A segunda função de grande importância para a edificação do corpo de Cristo (igreja) e a evangelização, o fazer discípulos, assim diz a Bíblia no evangelho de Marcos: E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura (Mc 16.15).

A partir dessas duas funções a igreja de Cristo se desenvolve apresentando algumas características que a define como verdadeira e genuína, de modo que se ela perder ou não apresentar uma dessa características ou ela não é igreja ou perdeu o propósito de sua edificação.

A igreja de Cristo tem como característica em primeiro lugar glorificar a Deus, todos os seus atos devem ser para glória de Deus, o apóstolo Paulo em sua carta aos coríntios assim expressa: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1C0 10.31).

A Igreja deve ser testemunho de Jesus aqui na terra, através da pregação do Evangelho, de uma vida devocional de santidade e de caráter que seja exemplo e influência para a sociedade onde ela está inserida, bem como a pratica do amor ágape, zelando pela justiça e verdade e exercendo a misericórdia.

E por último, mas não menos importante, a igreja deve exercer o servir, o verdadeiro cristão é servo do Senhor Jesus, que serve por amor (escravo da orelha furada), de modo que ao servir ao próximo com amor está servindo ao seu Senhor. Assim o servir ao próximo no que se refere essa característica está no socorrer o necessitado, o órfão, a viúva e o estrangeiro. A Bíblia registra tal ensinamento na epístola de Tiago: “A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo” (Tg 1.27).

A Natureza da Igreja
A septuaginta traduz a a palavra hebraica “reúne” (hb. Qahal) pelo termo grego ekklesiazo que significa “convocar uma assembleia”, verbo cognato do substantivo do Novo Testamento ekklesia, “igreja”.

Natureza da igreja é aquilo que é inerente ao ser da igreja. De forma que essa natureza é conhecida através de certas qualidades ou características que constatamos existirem na própria igreja.

Assim, a igreja é a comunidade de todos os cristãos de todos os tempos comprados pelo sangue de Cristo. Espiritualmente essa comunidade é invisível, pois não podemos conhecer a condição espiritual de nenhuma pessoa, ainda que ela frequente uma igreja visível.

 A igreja é o corpo de Cristo constituída pelos seus membros os cristãos genuínos, eleitos antes da fundação do mundo por Deus segundo a sua soberania, misericórdia e graça.

Em síntese, o conceito bíblico de igreja é claramente percebido nas escrituras sagradas, descrito de forma simples a objetiva, ensinada pelos apóstolos e vivida pela comunidade cristã do primeiro século. Os que se professam Cristãos não podem negar ou desconhecer esse conceito, tão pouco deixar de exerce-lo na prática, pois o manual que tem em suas linhas a descrição da Ekklesía está em suas mãos.



REFERÊNCIAS

Bíblia Sagrada. TheWod.
GRUDEN, Wayne A.. Teologia Sistemática. São Paulo: Ed. Vida Nova. 1999.
MUZIO, Rubens Ramiro. O DNA da Igreja. comunidades cristãs transformando a nação. Curitiba, PR: Ed. Esperança. 2010.





sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A BÍBLIA É IMPORTANTE PARA MIM?

O livro mais vendido no mundo, mais lido, também o mais atacado no decorrer da história em todos os sentidos, ou seja, já tentaram destruí-lo fisicamente queimando-o, tentaram escondê-lo em mosteiros, e, nos últimos tempos estão tentando desacreditá-lo lhes atribuindo erros e contradições. Porém, este livro, a Bíblia Sagrada resistiu a tudo isso e ainda resiste.

Diante dessa realidade, passamos a pensar sobre a importância desse precioso compêndio para nós e de forma geral para humanidade. Qual a importância dada pelos que professam ser cristãos à Bíblia?  

Assim quero deixar um trecho de um livro escrito por John MacArthur Jr., intitulado COMO OBTER O MÁXIMO DA PALAVRA DE DEUS. Creio que irá trazer edificação, nos despertando a atenção para algumas verdades. Então, segue abaixo as palavras do nobre escritor:

Qual a importância da Bíblia para mim? Existem várias maneiras de responder a essa pergunta. Alguns dizem: A Bíblia? É apenas mais um livro. Tem algumas palavras de sabedoria aqui e ali, misturadas com um monte de genealogias, mitos e Visões malucas".
Um segundo grupo diz algo assim: “É claro que sei que a Bíblia é importante - pelo menos meu pastor pensa assim. Ele está sempre citando a Bíblia e brandindo-a no ar. Mas eu não leio muito a Bíblia, pois não consigo entender bem o que ela diz “.

Existe ainda um terceiro grupo, que se alinha com sir Walter Scott, famoso novelista e poeta britânico e que era também um cristão devoto. Diz-se que quando Scott estava em seu leito de morte, disse ao secretário: "Traga-me o Livro “. Seu secretário pensou nos milhares de livros que Scott tinha em sua biblioteca e perguntou: “Dr. Scott, qual livro? “. "O Livro “, replicou Scott, “A Bíblia - o único livro para um homem moribundo!"

E o cristão comprometido teria de acrescentar que a Bíblia não somente e o único livro para um moribundo, mas também e o único livro para um homem cheio de vitalidade, porque é a Palavra de Deus.

Em qual das três categorias você se encaixa? Obviamente o grupo 1 representa a resposta típica do mundo secular. É o grupo que não conhece a Cristo; aceita apenas aquilo que parece estar de acordo com a sabedoria mundana. Para eles, a Bíblia tem pouca importância e ainda menos autoridade.

O grupo 2 inclui uma grande quantidade de frequentadores de igrejas e até mesmo alguns cristãos genuínos. Sabem que a Bíblia e importante e que deveria ser uma prioridade e uma regra de prática nas suas vidas, mas não fazem muito uso pessoal dela. Negligenciam totalmente seus ensinamentos. Ou então passam por ela levianamente, raramente abrindo a Bíblia por si mesmos, dependendo sempre de pastores, professores ou pregadores para lhes darem “explicações”. Não aplicam o que a Bíblia ensina. A Bíblia permanece um mistério, um livro confuso, o qual têm de engolir com bravura, como “óleo de fígado de bacalhau “, todas as manhãs antes do café.

O grupo 3 encara a Bíblia de forma bem diferente. Para eles, a Bíblia é viva, literalmente pululando de verdades empolgantes. Este grupo não vive apenas de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Mt 4.4).
Talvez, entretanto, você esteja pensando que não se encaixa em nenhuma dessas categorias. Se você é como um grande número de cristãos, fica em algum lugar entre os grupos 2 e Se Você deseja que a Bíblia seja mais importante em sua vida. Quer se submeter à sua autoridade, mas a própria vida mantem a Bíblia distante. Para qualquer lado que se volte, você é seduzido, ou intimidado a esquecer os ensinamentos das Escrituras.

Por exemplo, você liga a TV num programa de entrevistas e vê um grande astro fazendo declarações categórica do tipo, “Acho que cada pessoa deve fazer o que achar melhor, viver sua própria vida e ter suas convicções pessoais". A plateia irrompe em aplausos; e você fica ali se perguntando se realmente é inteligente (ou civilizado) pensar que você, um cristão nascido de novo e membro de uma Igreja, tem realmente todas as respostas entre as duas capas de um livro tão velho e aparentemente antiquado.

Quando, porém, nos deixamos intimidar pelos valores do mundo, esquecemos uma verdade básica. Em um mundo de pensamentos relativistas, no qual não existem absolutos, a Bíblia permanece como a autoridade absoluta para o cristão. A Bíblia é a Palavra de Deus, não as idéias, opiniões e filosofias de outra pessoa. Não é nem mesmo uma antologia dos melhores pensamentos dos melhores pensadores. A Bíblia e a Palavra de Deus; isso significa que ela tem várias características e qualidades que a tornam extremamente importante em nossa Vida.



REFERÊNCIA:

JR., John F. MacArthur. Como obter o máximo da palavra de Deus. Ed. Cultura Cristã. p. 52.