sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

SUCESSO À LUZ DA BÍBLIA – UMA BREVE ANÁLISE



Por Romildo Coelho dos Santos.

A sociedade moderna possui um conceito bem definido de sucesso, que tem por base conquistas materiais, conceito esse que estamos familiarizados. De forma que não vamos nos ater à definição desse conceito ou nos aprofundarmos sobre tal.

O que vamos abordar, mesmo que de forma sucinta, é o que a igreja de hoje define como sucesso, o que é ser bem-sucedido para aqueles que estão no meio eclesiástico.

A maneira como a maioria das igrejas anda hoje mostra a influencia de uma filosofia baseada em padrões mundanos de crescimento e sucesso, de forma que o indicador de sucesso de um ministério aponta para o materialismo factual.

Assim se uma igreja tem uma grande estrutura física, muito dinheiro, luxuosa, com instalações confortáveis passa a ser vista como um “ministério bem-sucedido”. “As igrejas que mais frequentemente são tidas como “bem-sucedidas” são as grandes e ricas, denominadas megaigrejas, que possuem instalações milionárias, spa, quadras de esportes, creches, etc”. (Jr. MacArthur F. John, 1997, p.26).

Se o materialismo refletido na megaestrutura de uma igreja é o indicador de sucesso, pergunta-se: Esse indicador é bíblico? Claro que não! O material no sentido de estrutura física não se encontra na Bíblia Sagrada como sendo critério para classificar um ministério eclesiástico como sendo de sucesso. Permita-me citar mais uma vez John F. MacArthur Jr.:

Critérios exteriores tais como influência, números, dinheiro ou reações positivas jamais foram a medida bíblica de sucesso no ministério. Fidelidade, piedade e compromisso espiritual são as virtudes que Deus estima; e tais qualidades deveriam ser os tijolos com os quais se constrói uma filosofia de ministério. Isto é verdadeiro tanto para as igrejas grandes como para as pequenas”. (Jr. MacArthur F. John, 1997, p. 26).

Algo ser grande, numeroso, quase imensurável, não significa que Deus está no negócio, ou seja, se uma denominação, um ministério ou mesmo uma religião que seja grande em número e popularidade, não significa, necessariamente, que Deus está abençoando.
De maneira que as Sagradas Escrituras nos mostram de forma clara o que ela define como sucesso, definição essa que vai em direção contrária ao que a sociedade mundana declara e exalta como sucesso.

Essa definição divina é percebida quando o apóstolo Paulo orienta o jovem pastor Timóteo com relação ao ministério, de forma que não o incentiva a buscar um sucesso baseado no acúmulo de bens materiais e valores do mundo, mas o adverte da dificuldade, do sofrimento, perseguições que haveria para aquele que quisesse ter êxito no ministério que Deus escolheu para ele.

Com relação a definição de sucesso no que tange o ensinamento do apóstolo Paulo ao seu discípulo Timóteo, bem comenta John F. MacArthur Jr.:

“Observe que Paulo nada disse a Timóteo sobre como as pessoas reagiriam. Ele não instruiu Timóteo acerca do tamanho de congregação que a igreja deveria ter, quanto dinheiro deveria arrecadar ou quão influente deveria ser; não ensinou a Timóteo que o mundo deveria reverenciá-lo, estimá-lo ou aceitá-lo. De fato, Paulo nada afirmou a respeito do sucesso exterior. A ênfase de Paulo estava no compromisso, não no sucesso”. (Jr. MacArthur F. John, 1997, p. 25).

O ministério que o Senhor escolhe para cada um de nós só poderá ter êxito se imitarmos a Cristo, pois quem seria melhor exemplo de perfeição e sucesso no que fez e faz? De forma que a definição de sucesso reside no fato de procurarmos a cada dia sermos semelhantes ao Mestre.

O apóstolo Paulo assim exorta: “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” (BÍBLIA THEWORD, ACR, 2016,1Coríntios, cap.11, v.1); “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” (BÍBLIA THEWORD, ACR, 2016, Efésios cap.5, v.1).

A Palavra de Deus nos exorta e encoraja a ser aquilo que o Senhor nos chamou para ser, ou seja, Deus não está nos aconselhando a buscar sucesso, mas alcançar a excelência. “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso pai, que está nos céus”. (BÍBLIA THEWORD, ACR, 2016, MATEUS cap.5, v.48).

Assim, o verdadeiro sucesso, o sucesso que a Bíblia nos aponta não é prosperidade, muito menos popularidade, não tem por critério o poder, status, ou a grandiosidade e riqueza de uma estrutura física. O sucesso autêntico, aprovado por Deus é simplesmente fazer a Sua vontade mesmo sabendo das dificuldades e consequências que isso pode causar a si mesmo.

O próprio Mestre assim ensina: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lucas, cap. 22.42).

O próprio Cristo demonstrou na sua carne (corpo) qual é a definição de sucesso que Deus Pai aprova, a saber, o fazer a Sua vontade independente das consequências que poderiam advir.

Concluímos, então, que obter o sucesso verdadeiro no ministério eclesiástico nada tem com os conceitos mundanos de sucesso, baseado na materialidade e no que apraz aos olhos, mas biblicamente, está fundamentado no fazer a vontade de Deus, ter compromisso com Sua obra, buscar a excelência no ser semelhante a ao Pai em Cristo Jesus, e, isso, está distante do que o mundo define como sucesso.


Shalom! Adonai!



REFERÊNCIAS:
JR., John F. MacArthur. Com Vergonha do Evangelho. 1ª ed. São Paulo: Editora fiel, 1997.
Bíblia Sagrada. TheWod.





quinta-feira, 16 de novembro de 2017

GRAÇA, UM PRESENTE DE DEUS PARA O HOMEM



Por Romildo Coelho dos Santos

A humanidade busca, desde de que se afastou do seu criador, uma solução para o que se tornou um vazio enorme dentro do seu ser. Nessa busca épica, no decorrer da história, o homem tem tentado preencher essa lacuna. De forma que tem criado deuses de pedra, barro, madeira, ouro, prata, tem olhado para o céu e coroado astros celestes como seus reis e rainhas, porém nada disso preencheu o vazio ou satisfez a necessidade latente que existe no seu interior.

Com o passar dos séculos essa busca continua, porém nos últimos tempos com o desenvolvimento da tecnologia e da capacidade humana, o seu crescimento em conhecimento, inteligência e sabedoria, tornaram o homem um ser altivo, dono de si, egocêntrico, afastando-o cada vez mais do seu criador. Assim, sego pelo seu orgulho ilusoriamente acredita quer encontrou o que faltava para preencher aquele vazio que sempre o acompanhou, a saber o seu “Eu”, ou seja, o próprio homem.

Esse ilusório preenchimento ou atitude é um erro fatal! Pois troca-se os deuses de ouro, prata, barro, madeira etc., por outro deus o “homem”, e, essa história nós já conhecemos, aconteceu lá no jardim do Éden (aqui referindo-se apenas a rebeldia humana). Esse ato de rebeldia do homem para com o seu Criador, que se repete a cada geração colocou o homem em uma posição terrível, a saber debaixo da ira de Deus, sendo merecedor apenas de condenação.

A Bíblia diz que Deus, o Criador é tardio em se irar, grande em misericórdia, e, percebemos isso logo no início das Sagradas Escrituras, no livro de Gênesis, na narrativa da queda do homem. Depois que Adão e Eva pecam, Deus determina o castigo consequente do pecado cometido, porém o Senhor não destrói ou mata o primeiro casal, em vez disso Ele faz roupas com peles para os vesti (Gênesis 3.21).

O Criador, poderia, quando da desobediência do primeiro casal tê-los destruído e criado outros, porém, demostra seu grande amor e misericórdia quando apenas os castiga e os tira do jardim. Assim inicia-se a saga do homem sobre a terra, afastado da presença de Deus e se afastando cada vez mais, ele (o homem) está perdido, condenado, necessitando de um ato que o restabeleça a comunhão com o seu criador, comunhão essa que ele perdera quando pecou.

O homem como criatura “caída”, (Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus - Romanos 3.23), não tem a mínima capacidade, ou força para voltar e se reconciliar com o seu Criador. O seu estado pecaminoso o torna irreconciliável pelos seus próprios esforços. Não há nada que ele possa fazer para restabelecer a sua condição adâmica antes do pecado. Não há nada que ele possa dar em troca para obter a salvação.

O apóstolo Paulo em sua carta aos efésios diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8,9). Aqui está expresso algo incompreensível para mente de um homem natural e pecador. Como pode o homem pecador afastado de Deus receber algo que não merece? E o que ele merece não recebe?

A maior dádiva dada ao homem foi a salvação sem merecimento. Pois o que o homem merecia e merece é a condenação. Afastou-se do seu Criador, o seu coração é rebelde, sua natureza pecaminosa, sua tendência é continuamente para o mal, o seu estado é lastimável em comparação com a estado do primeiro homem (Adão) antes da “queda”. Assim, deveria a criatura (homem), reconhecer a sua condição atual e clamar a Jesus Cristo que o receba como seu servo, que lhe abençoe com essa dádiva divina, graça, favor imerecido.

A graça dada ao homem foi e é o maior presente que ele poderia receber, presente esse comprado com o precioso sangue de Cristo Jesus, deveras valiosíssimo para que o homem despreze, porém, pasmem, é o que ele faz!.

Como compreender isso? Recusar um dom gratuito! Desprezá-lo! Por quê? Poderíamos nos aprofundar na resposta, todavia é complexa e extensa para expor nesse pequeno artigo, bem como não é o nosso foco aqui. Assim, fiquemos apenas com uma simples resposta a essa questão, que na verdade é parte da resposta mais extensa. O homem recusa e despreza esse presente pelo fato de seu total desconhecimento de sua condição e do significado real e profundo da graça.

De maneira que a Bíblia diz: Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Coríntios 2.14). A humanidade no seu atual estado, sem Deus Pai, sem Jesus o Filho e sem o Espírito Santo, jamais compreenderá essa graça, ela precisa de Deus para compreender o que vem de Deus. 
Sinceramente a graça é inexplicável e incompreensível até para os espirituais, o que nos leva a entender e dizer que o dom gratuito de Deus, esse presente maravilhoso, não é para ser explicado e sim para ser recebido, presente não se explica apenas se recebe. Então receba! É de graça! É Deus quem está dando a você. Faça isso agora, nesse exato momento, receba!

Quando falamos que a graça é inexplicável e incompreensível não estamos sendo aqui literais, o sentido é que esse dom é tão sublime que pelo estado que o ser humano se encontra (caído), quando ouve que recebeu esse presente a reação é de incredulidade, espanto, surpresa. Dai a alegria e o constrangimento são tão grandes que fica difícil entender tamanho amor e quanto mais explica-lo de forma completa.

A graça, como dom de Deus pode sim ser entendida, mas não sem antes ser recebida por aquele que o Senhor presenteou. O seu conceito, como já dito acima, favor imerecido, está expresso em toda a Bíblia, em algumas partes da Sagrada Escritura estará implícito em outras explícito, mas está lá, não há duvida quanto a isso. E o homem que já recebeu essa graça, com o desejo de compreendê-la melhor, deve voltar-se para o estudo e meditação na Palavra de Deus, pedindo ao Senhor sabedoria para entender, e, assim prosseguir na caminhada cristã, pois a  Bíblia nos ensina que isso é possível, nela está escrito: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada.” (Tiago 1.5).

Compreendemos, então, que só pelo estudo do evangelho é que descobriremos a verdade do maravilhoso amor de Deus. Como bem diz o apóstolo Paulo: Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.” (Romanos 1.16,17). De forma que o único caminho para a compreensão da graça de Deus é a verdade revelada na sua Palavra que recebemos pela fé.

Shalom! Adonai!!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Livres ou Presos?


Estou pensando... Se Jesus pagou um alto preço pela minha e pela sua liberdade, por que então alguns líderes evangélicos criam métodos de aprisionamento eclesial...

Jesus foi contra o farisaísmo e sua religiosidade, pois eles colocavam fardos pesados sobre seus seguidores de modo que eles mesmos não carregavam (vide Lucas 11.46), amaldiçoavam aqueles que não os obedecessem, se diziam intocáveis e detentores da verdade absoluta, gostavam de serem honrados e queriam sempre aparecer em primeiro lugar em reuniões públicas... espere aí, o ontem está muito parecido com o hoje, você não acha?


Oremos para que o Pai, Criador de todas as coisas, levante líderes como Jesus, que abençoava seus discípulos e não amaldiçoava que os amou a ponto de morrer por eles, que os libertou e deu livre escolha para eles segui-Lo ou não.