Por
Romildo Coelho dos Santos
A humanidade busca, desde de
que se afastou do seu criador, uma solução para o que se tornou um vazio enorme
dentro do seu ser. Nessa busca épica, no decorrer da história, o homem tem tentado
preencher essa lacuna. De forma que tem criado deuses de pedra, barro, madeira,
ouro, prata, tem olhado para o céu e coroado astros celestes como seus reis e
rainhas, porém nada disso preencheu o vazio ou satisfez a necessidade latente
que existe no seu interior.
Com o passar dos séculos essa
busca continua, porém nos últimos tempos com o desenvolvimento da tecnologia e
da capacidade humana, o seu crescimento em conhecimento, inteligência e
sabedoria, tornaram o homem um ser altivo, dono de si, egocêntrico, afastando-o
cada vez mais do seu criador. Assim, sego pelo seu orgulho ilusoriamente
acredita quer encontrou o que faltava para preencher aquele vazio que sempre o
acompanhou, a saber o seu “Eu”, ou seja, o próprio homem.
Esse ilusório preenchimento ou
atitude é um erro fatal! Pois troca-se os deuses de ouro, prata, barro, madeira
etc., por outro deus o “homem”, e, essa história nós já conhecemos, aconteceu
lá no jardim do Éden (aqui referindo-se apenas a rebeldia humana). Esse ato de
rebeldia do homem para com o seu Criador, que se repete a cada geração colocou
o homem em uma posição terrível, a saber debaixo da ira de Deus, sendo
merecedor apenas de condenação.
A Bíblia diz que Deus, o
Criador é tardio em se irar, grande em misericórdia, e, percebemos isso logo no
início das Sagradas Escrituras, no livro de Gênesis, na narrativa da queda do
homem. Depois que Adão e Eva pecam, Deus determina o castigo consequente do
pecado cometido, porém o Senhor não destrói ou mata o primeiro casal, em vez
disso Ele faz roupas com peles para os vesti (Gênesis 3.21).
O Criador, poderia, quando da
desobediência do primeiro casal tê-los destruído e criado outros, porém,
demostra seu grande amor e misericórdia quando apenas os castiga e os tira do
jardim. Assim inicia-se a saga do homem sobre a terra, afastado da presença de
Deus e se afastando cada vez mais, ele (o homem) está perdido, condenado,
necessitando de um ato que o restabeleça a comunhão com o seu criador, comunhão
essa que ele perdera quando pecou.
O homem como criatura “caída”,
(Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus - Romanos 3.23),
não tem a mínima capacidade, ou força para voltar e se reconciliar com o seu Criador.
O seu estado pecaminoso o torna irreconciliável pelos seus próprios esforços.
Não há nada que ele possa fazer para restabelecer a sua condição adâmica antes
do pecado. Não há nada que ele possa dar em troca para obter a salvação.
O apóstolo Paulo em sua carta aos
efésios diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós;
é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8,9). Aqui está expresso
algo incompreensível para mente de um homem natural e pecador. Como pode o
homem pecador afastado de Deus receber algo que não merece? E o que ele merece
não recebe?
A maior dádiva dada ao homem
foi a salvação sem merecimento. Pois o que o homem merecia e merece é a
condenação. Afastou-se do seu Criador, o seu coração é rebelde, sua natureza
pecaminosa, sua tendência é continuamente para o mal, o seu estado é lastimável
em comparação com a estado do primeiro homem (Adão) antes da “queda”. Assim,
deveria a criatura (homem), reconhecer a sua condição atual e clamar a Jesus
Cristo que o receba como seu servo, que lhe abençoe com essa dádiva divina,
graça, favor imerecido.
A graça dada ao homem foi e é
o maior presente que ele poderia receber, presente esse comprado com o precioso
sangue de Cristo Jesus, deveras valiosíssimo para que o homem despreze, porém, pasmem, é
o que ele faz!.
Como compreender isso? Recusar
um dom gratuito! Desprezá-lo! Por quê? Poderíamos nos aprofundar na resposta,
todavia é complexa e extensa para expor nesse pequeno artigo, bem como não é o
nosso foco aqui. Assim, fiquemos apenas com uma simples resposta a essa
questão, que na verdade é parte da resposta mais extensa. O homem recusa e
despreza esse presente pelo fato de seu total desconhecimento de sua condição e
do significado real e profundo da graça.
De maneira que a Bíblia diz: “Ora,
o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe
parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem
espiritualmente.” (1 Coríntios 2.14).
A humanidade no seu atual estado, sem Deus Pai, sem Jesus o Filho e sem o
Espírito Santo, jamais compreenderá essa graça, ela precisa de Deus para
compreender o que vem de Deus.
Sinceramente a graça é
inexplicável e incompreensível até para os espirituais, o que nos leva a
entender e dizer que o dom gratuito de Deus, esse presente maravilhoso, não é
para ser explicado e sim para ser recebido, presente não se explica apenas se
recebe. Então receba! É de graça! É Deus quem está dando a você. Faça isso
agora, nesse exato momento, receba!
Quando falamos que a graça é
inexplicável e incompreensível não estamos sendo aqui literais, o sentido é que
esse dom é tão sublime que pelo estado que o ser humano se encontra (caído),
quando ouve que recebeu esse presente a reação é de incredulidade, espanto,
surpresa. Dai a alegria e o constrangimento são tão grandes que fica difícil
entender tamanho amor e quanto mais explica-lo de forma completa.
A graça, como dom de Deus pode
sim ser entendida, mas não sem antes ser recebida por aquele que o Senhor presenteou.
O seu conceito, como já dito acima, favor imerecido, está expresso em toda a
Bíblia, em algumas partes da Sagrada Escritura estará implícito em outras explícito,
mas está lá, não há duvida quanto a isso. E o homem que já recebeu essa graça,
com o desejo de compreendê-la melhor, deve voltar-se para o estudo e meditação
na Palavra de Deus, pedindo ao Senhor sabedoria para entender, e, assim
prosseguir na caminhada cristã, pois a Bíblia
nos ensina que isso é possível, nela está escrito: “E, se algum de vós tem falta de
sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e
ser-lhe-á dada.” (Tiago 1.5).
Compreendemos, então, que só
pelo estudo do evangelho é que descobriremos a verdade do maravilhoso amor de
Deus. Como bem diz o apóstolo Paulo: “Porque não me envergonho do evangelho de
Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro
do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em
fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.” (Romanos 1.16,17). De forma que o único caminho para a compreensão da
graça de Deus é a verdade revelada na sua Palavra que recebemos pela fé.
Shalom! Adonai!!
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