quinta-feira, 16 de novembro de 2017

GRAÇA, UM PRESENTE DE DEUS PARA O HOMEM



Por Romildo Coelho dos Santos

A humanidade busca, desde de que se afastou do seu criador, uma solução para o que se tornou um vazio enorme dentro do seu ser. Nessa busca épica, no decorrer da história, o homem tem tentado preencher essa lacuna. De forma que tem criado deuses de pedra, barro, madeira, ouro, prata, tem olhado para o céu e coroado astros celestes como seus reis e rainhas, porém nada disso preencheu o vazio ou satisfez a necessidade latente que existe no seu interior.

Com o passar dos séculos essa busca continua, porém nos últimos tempos com o desenvolvimento da tecnologia e da capacidade humana, o seu crescimento em conhecimento, inteligência e sabedoria, tornaram o homem um ser altivo, dono de si, egocêntrico, afastando-o cada vez mais do seu criador. Assim, sego pelo seu orgulho ilusoriamente acredita quer encontrou o que faltava para preencher aquele vazio que sempre o acompanhou, a saber o seu “Eu”, ou seja, o próprio homem.

Esse ilusório preenchimento ou atitude é um erro fatal! Pois troca-se os deuses de ouro, prata, barro, madeira etc., por outro deus o “homem”, e, essa história nós já conhecemos, aconteceu lá no jardim do Éden (aqui referindo-se apenas a rebeldia humana). Esse ato de rebeldia do homem para com o seu Criador, que se repete a cada geração colocou o homem em uma posição terrível, a saber debaixo da ira de Deus, sendo merecedor apenas de condenação.

A Bíblia diz que Deus, o Criador é tardio em se irar, grande em misericórdia, e, percebemos isso logo no início das Sagradas Escrituras, no livro de Gênesis, na narrativa da queda do homem. Depois que Adão e Eva pecam, Deus determina o castigo consequente do pecado cometido, porém o Senhor não destrói ou mata o primeiro casal, em vez disso Ele faz roupas com peles para os vesti (Gênesis 3.21).

O Criador, poderia, quando da desobediência do primeiro casal tê-los destruído e criado outros, porém, demostra seu grande amor e misericórdia quando apenas os castiga e os tira do jardim. Assim inicia-se a saga do homem sobre a terra, afastado da presença de Deus e se afastando cada vez mais, ele (o homem) está perdido, condenado, necessitando de um ato que o restabeleça a comunhão com o seu criador, comunhão essa que ele perdera quando pecou.

O homem como criatura “caída”, (Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus - Romanos 3.23), não tem a mínima capacidade, ou força para voltar e se reconciliar com o seu Criador. O seu estado pecaminoso o torna irreconciliável pelos seus próprios esforços. Não há nada que ele possa fazer para restabelecer a sua condição adâmica antes do pecado. Não há nada que ele possa dar em troca para obter a salvação.

O apóstolo Paulo em sua carta aos efésios diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8,9). Aqui está expresso algo incompreensível para mente de um homem natural e pecador. Como pode o homem pecador afastado de Deus receber algo que não merece? E o que ele merece não recebe?

A maior dádiva dada ao homem foi a salvação sem merecimento. Pois o que o homem merecia e merece é a condenação. Afastou-se do seu Criador, o seu coração é rebelde, sua natureza pecaminosa, sua tendência é continuamente para o mal, o seu estado é lastimável em comparação com a estado do primeiro homem (Adão) antes da “queda”. Assim, deveria a criatura (homem), reconhecer a sua condição atual e clamar a Jesus Cristo que o receba como seu servo, que lhe abençoe com essa dádiva divina, graça, favor imerecido.

A graça dada ao homem foi e é o maior presente que ele poderia receber, presente esse comprado com o precioso sangue de Cristo Jesus, deveras valiosíssimo para que o homem despreze, porém, pasmem, é o que ele faz!.

Como compreender isso? Recusar um dom gratuito! Desprezá-lo! Por quê? Poderíamos nos aprofundar na resposta, todavia é complexa e extensa para expor nesse pequeno artigo, bem como não é o nosso foco aqui. Assim, fiquemos apenas com uma simples resposta a essa questão, que na verdade é parte da resposta mais extensa. O homem recusa e despreza esse presente pelo fato de seu total desconhecimento de sua condição e do significado real e profundo da graça.

De maneira que a Bíblia diz: Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Coríntios 2.14). A humanidade no seu atual estado, sem Deus Pai, sem Jesus o Filho e sem o Espírito Santo, jamais compreenderá essa graça, ela precisa de Deus para compreender o que vem de Deus. 
Sinceramente a graça é inexplicável e incompreensível até para os espirituais, o que nos leva a entender e dizer que o dom gratuito de Deus, esse presente maravilhoso, não é para ser explicado e sim para ser recebido, presente não se explica apenas se recebe. Então receba! É de graça! É Deus quem está dando a você. Faça isso agora, nesse exato momento, receba!

Quando falamos que a graça é inexplicável e incompreensível não estamos sendo aqui literais, o sentido é que esse dom é tão sublime que pelo estado que o ser humano se encontra (caído), quando ouve que recebeu esse presente a reação é de incredulidade, espanto, surpresa. Dai a alegria e o constrangimento são tão grandes que fica difícil entender tamanho amor e quanto mais explica-lo de forma completa.

A graça, como dom de Deus pode sim ser entendida, mas não sem antes ser recebida por aquele que o Senhor presenteou. O seu conceito, como já dito acima, favor imerecido, está expresso em toda a Bíblia, em algumas partes da Sagrada Escritura estará implícito em outras explícito, mas está lá, não há duvida quanto a isso. E o homem que já recebeu essa graça, com o desejo de compreendê-la melhor, deve voltar-se para o estudo e meditação na Palavra de Deus, pedindo ao Senhor sabedoria para entender, e, assim prosseguir na caminhada cristã, pois a  Bíblia nos ensina que isso é possível, nela está escrito: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada.” (Tiago 1.5).

Compreendemos, então, que só pelo estudo do evangelho é que descobriremos a verdade do maravilhoso amor de Deus. Como bem diz o apóstolo Paulo: Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.” (Romanos 1.16,17). De forma que o único caminho para a compreensão da graça de Deus é a verdade revelada na sua Palavra que recebemos pela fé.

Shalom! Adonai!!

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