Marcos
2. 23-28; 3.1-6
23
E aconteceu que, passando ele num sábado pelas searas, os seus discípulos,
caminhando, começaram a colher espigas
24
E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito
25
Mas ele disse-lhes: Nunca lestes o que fez Davi, quando estava em necessidade e
teve fome, ele e os que com ele estavam
26
Como entrou na Casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu os
pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, dando
também aos que com ele estavam?
27
E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa
do sábado.
28
Assim, o Filho do Homem até do sábado é senhor.
Cap. 3. 1-6
1
E outra vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos
mirrada
2
E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem.
3
E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio.
4
E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou
matar? E eles calaram-se.
5
E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu
coração, disse ao homem: Estende a mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída
a mão, sã como a outra.
6
E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele,
procurando ver como o matariam.
13.
JESUS É SENHOR ATÉ MESMO DO SÁBADO
O
evangelho abre as portas da liberdade para os prisioneiros do legalismo. O
Senhor Jesus oferece algo novo e verdadeiro, muito maior, superior, às regras e
rituais da religiosidade.
O
sábado se tornara um peso enorme sobre os ombros dos judeus, o que era para ser
apreciado como benção do Senhor passou a ser um ato religioso com regras
escravizastes e opressoras.
Os
fariseus tornaram o sábado judaico em um carrasco do homem, um fardo
insuportável em vez de um elemento terapêutico. Eles tinham acrescentado à lei
39 regras sobre a maneira de guardar o sábado, tornando a sua observância um fator
escravização e opressor.
O
incidente ocorrido no episódio dos discípulos colhendo e debulhando o milho
para comerem num dia de sábado, fazendo com que os fariseus nos acusem de
estarem quebrando a lei e assim cometendo um pecado mortal cria uma
oportunidade para Jesus ensinar lições importantes:
1ª
- Os discípulos não estavam fazendo algo proibido (2.23,24). A
prática de colher espigas nas searas para comer estava rigorosamente de
conformidade com a lei de Moisés (Dt 23.24, 25). Mas os escribas e fariseus
estavam escondendo a verdadeira lei de Deus debaixo da montanha de tradições
tolas que eles tinham fabricado.
2ª
- O conhecimento da Palavra é o meio de nos livrarmos do legalismo (2.25,26). Jesus cita a
Escritura para os fariseus e mostra como Davi quebrou a lei cerimonial comendo
com seus homens os pães da proposição só permitidos aos sacerdotes (1Sm
21.1-6). Só os sacerdotes podiam comer esse pão da proposição (Lv 24.9), mas a
necessidade humana prevaleceu sobre a lei cerimonial.
Ora,
se Davi tinha o direito de ignorar as provisões cerimoniais, divinamente
ordenadas, quando a necessidade exigia, não teria Jesus, o Filho de Deus, num
sentido muito mais evidente, o direito, sob as mesmas condições de necessidade,
de deixar de lado os regulamentos sabáticos não autorizados, feitos pelo homem?
O
dia do descanso nunca é tão sagrado como quando é usado para prestar ajuda aos
necessitados. O árbitro final com respeito aos ritos sagrados não é o
legalismo, mas o amor.
3ª
– O homem vale mais do que os ritos sagrados (2.27). O sábado foi feito para o
bem físico, mental e espiritual do homem. Ele foi dado como uma bênção e não
como um fardo. Esse foi o propósito que o sábado foi criado por Deus.
Deus
não criou o homem por causa do sábado, mas o sábado por causa do homem. O homem
não foi criado por Deus para ser vítima e escravo do sábado, mas o sábado foi
criado para que a vida do homem fosse mais plena e feliz.
Jesus
está dizendo com isso que a religião cristã não consiste de regras. As pessoas
são mais importantes que o sistema. A melhor maneira de adorar a Deus é
ajudando as pessoas. A melhor maneira de fazer uso das coisas sagradas é
pondo-as a serviço dos que padecem necessidade.
4ª
- O senhorio de Cristo traz liberdade e não escravidão (2.28). Jesus é o
Senhor do sábado. Seu senhorio não é escravizante nem opressor. O legalismo é
um caldo mortífero que envenena, asfixia e mata as pessoas. Ele é vexatório e
massacrante. Chegou a ponto de transformar o que Deus criou para aliviar o
homem, o sábado, num tirano cruel. Jesus veio para estabelecer sobre nós seu
senhorio de amor. Agostinho disse que quanto mais servos de Cristo somos, mais
livres nos sentimos. Jesus é maior do que o templo (Mt 12.6), maior que Jonas
(Mt 12.41), maior que Salomão (Mt 12.42) e maior que o sábado (2.28).
No
capitulo 3 nos mostra mais um episódio que retrata a religiosidade dos
fariseus. E nesse momento aprendemos valiosas lições do Senhor Jesus. Aqui
Cristo nos mostra duas formas de religião, uma que é vida e outra que é morte.
Persebemos também que Jesus tinha o costume e a legria de estar indo sempre à
sinagoga, ele era assíduo na casa de Deus.
Quando Jesus entrou naquela sinagoga, Ele viu duas classes de pessoas:
Primeiro,
ele viu gente mirrada. Havia um homem doente, encolhido, machucado pela vida,
com a mão direita seca naquela sinagoga. Possivelmente aquele homem foi trazido
pelos próprios fariseus, com o objetivo de o acusarem. O melhor que ele tinha
estava seco e mirrado. Há pessoas mirradas ainda hoje no meio da congregação,
gente com deformidades físicas, emocionais e morais. Gente que carrega o peso
dos traumas e das avassaladoras deficiências.
Segundo, ele viu gente cética. Ali estavam os escribas e fariseus observando
Jesus (Lc 6.7). Esses fiscais da vida alheia o seguiam por onde quer que Ele
fosse a fim de encontrar um motivo para acusá-lo (2.6,7,16,24; 3.2). Eles
não estavam na sinagoga para buscar a Deus nem para ajudar o próximo. Eles
foram à Casa de Deus para criticar e acusar em vez de alegrar-se com a
libertação dos cativos. Há muitas pessoas que ainda hoje lotam as igrejas não
para adorar a Deus, mas para observar a vida alheia e criticar o pregador.
O texto nos mostra que os fariseus não valorizavam a vida humana, eles dão mais
valor aos rituais religiosos, esquecendo-se da misericódia de Deus. Os
escribas e fariseus estavam prontos a tirar uma ovelha de um buraco, no sábado,
mas não aceitavam que aquele homem fosse curado no sábado. Para eles, uma
ovelha valia mais que um homem.Jesus etretanto valorizava mais a vida do ser
humano do que ritos e legalismo religioso.
Por:
Romildo Coelho dos Santos.
REFERÊNCIAS:
AMME.
O Livro de Marcos. Santo André, SP. Ed. Mundo Cristão. 2015.
LOPES,
Hernandes Dias. Comentários Expositivos Hagnos.