segunda-feira, 6 de abril de 2020

O Evangelho de Marcos


Marcos 2. 23-28; 3.1-6

23 E aconteceu que, passando ele num sábado pelas searas, os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas
24 E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito
25 Mas ele disse-lhes: Nunca lestes o que fez Davi, quando estava em necessidade e teve fome, ele e os que com ele estavam
26 Como entrou na Casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu os pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, dando também aos que com ele estavam?
27 E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado.
28 Assim, o Filho do Homem até do sábado é senhor.

Cap. 3. 1-6
1 E outra vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada
2 E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem.
3 E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio.
4 E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou matar? E eles calaram-se.
5 E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a mão, sã como a outra.
6 E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam.


13. JESUS É SENHOR ATÉ MESMO DO SÁBADO
O evangelho abre as portas da liberdade para os prisioneiros do legalismo. O Senhor Jesus oferece algo novo e verdadeiro, muito maior, superior, às regras e rituais da religiosidade.

O sábado se tornara um peso enorme sobre os ombros dos judeus, o que era para ser apreciado como benção do Senhor passou a ser um ato religioso com regras escravizastes e opressoras.

Os fariseus tornaram o sábado judaico em um carrasco do homem, um fardo insuportável em vez de um elemento terapêutico. Eles tinham acrescentado à lei 39 regras sobre a maneira de guardar o sábado, tornando a sua observância um fator escravização e opressor.

O incidente ocorrido no episódio dos discípulos colhendo e debulhando o milho para comerem num dia de sábado, fazendo com que os fariseus nos acusem de estarem quebrando a lei e assim cometendo um pecado mortal cria uma oportunidade para Jesus ensinar lições importantes:

1ª - Os discípulos não estavam fazendo algo proibido (2.23,24). A prática de colher espigas nas searas para comer estava rigorosamente de conformidade com a lei de Moisés (Dt 23.24, 25). Mas os escribas e fariseus estavam escondendo a verdadeira lei de Deus debaixo da montanha de tradições tolas que eles tinham fabricado.

2ª - O conhecimento da Palavra é o meio de nos livrarmos do legalismo (2.25,26). Jesus cita a Escritura para os fariseus e mostra como Davi quebrou a lei cerimonial comendo com seus homens os pães da proposição só permitidos aos sacerdotes (1Sm 21.1-6). Só os sacerdotes podiam comer esse pão da proposição (Lv 24.9), mas a necessidade humana prevaleceu sobre a lei cerimonial.

Ora, se Davi tinha o direito de ignorar as provisões cerimoniais, divinamente ordenadas, quando a necessidade exigia, não teria Jesus, o Filho de Deus, num sentido muito mais evidente, o direito, sob as mesmas condições de necessidade, de deixar de lado os regulamentos sabáticos não autorizados, feitos pelo homem?

O dia do descanso nunca é tão sagrado como quando é usado para prestar ajuda aos necessitados. O árbitro final com respeito aos ritos sagrados não é o legalismo, mas o amor.

3ª – O homem vale mais do que os ritos sagrados (2.27). O sábado foi feito para o bem físico, mental e espiritual do homem. Ele foi dado como uma bênção e não como um fardo. Esse foi o propósito que o sábado foi criado por Deus.

Deus não criou o homem por causa do sábado, mas o sábado por causa do homem. O homem não foi criado por Deus para ser vítima e escravo do sábado, mas o sábado foi criado para que a vida do homem fosse mais plena e feliz.

Jesus está dizendo com isso que a religião cristã não consiste de regras. As pessoas são mais importantes que o sistema. A melhor maneira de adorar a Deus é ajudando as pessoas. A melhor maneira de fazer uso das coisas sagradas é pondo-as a serviço dos que padecem necessidade.

4ª - O senhorio de Cristo traz liberdade e não escravidão (2.28). Jesus é o Senhor do sábado. Seu senhorio não é escravizante nem opressor. O legalismo é um caldo mortífero que envenena, asfixia e mata as pessoas. Ele é vexatório e massacrante. Chegou a ponto de transformar o que Deus criou para aliviar o homem, o sábado, num tirano cruel. Jesus veio para estabelecer sobre nós seu senhorio de amor. Agostinho disse que quanto mais servos de Cristo somos, mais livres nos sentimos. Jesus é maior do que o templo (Mt 12.6), maior que Jonas (Mt 12.41), maior que Salomão (Mt 12.42) e maior que o sábado (2.28).

No capitulo 3 nos mostra mais um episódio que retrata a religiosidade dos fariseus. E nesse momento aprendemos valiosas lições do Senhor Jesus. Aqui Cristo nos mostra duas formas de religião, uma que é vida e outra que é morte. Persebemos também que Jesus tinha o costume e a legria de estar indo sempre à sinagoga, ele era assíduo na casa de Deus.  

Quando Jesus entrou naquela sinagoga, Ele viu duas classes de pessoas:
Primeiro, ele viu gente mirrada. Havia um homem doente, encolhido, machucado pela vida, com a mão direita seca naquela sinagoga. Possivelmente aquele homem foi trazido pelos próprios fariseus, com o objetivo de o acusarem. O melhor que ele tinha estava seco e mirrado. Há pessoas mirradas ainda hoje no meio da congregação, gente com deformidades físicas, emocionais e morais. Gente que carrega o peso dos traumas e das avassaladoras deficiências.

Segundo, ele viu gente cética. Ali estavam os escribas e fariseus observando Jesus (Lc 6.7). Esses fiscais da vida alheia o seguiam por onde quer que Ele fosse a fim de encontrar um motivo para acusá-lo (2.6,7,16,24; 3.2). Eles não estavam na sinagoga para buscar a Deus nem para ajudar o próximo. Eles foram à Casa de Deus para criticar e acusar em vez de alegrar-se com a libertação dos cativos. Há muitas pessoas que ainda hoje lotam as igrejas não para adorar a Deus, mas para observar a vida alheia e criticar o pregador.

O texto nos mostra que os fariseus não valorizavam a vida humana, eles dão mais valor aos rituais religiosos, esquecendo-se da misericódia de Deus. Os escribas e fariseus estavam prontos a tirar uma ovelha de um buraco, no sábado, mas não aceitavam que aquele homem fosse curado no sábado. Para eles, uma ovelha valia mais que um homem.Jesus etretanto valorizava mais a vida do ser humano do que ritos e legalismo religioso. 


Por: Romildo Coelho dos Santos.
REFERÊNCIAS:
AMME. O Livro de Marcos. Santo André, SP. Ed. Mundo Cristão. 2015.
LOPES, Hernandes Dias. Comentários Expositivos Hagnos.


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