segunda-feira, 27 de julho de 2020

A Criação do Homem

E disse Deus: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra." (Gênesis 1.26)


  O texto de bíblico acima relata a criação do primeiro homem (Adão), do qual descende toda a raça humana sobre a terra. Quando lemos essa passagem uma pergunta vem à nossa mente: "De que maneira fomos criados à imagem de Deus, o Criador?". Antes de respondermos a questão é preciso levar em consideração o ser de Deus, quem Ele é, pelo menos no que a Bíblia nos revela sobre Ele.

  As Sagradas Escrituras dizem algo importante e fundamental sobre Deus, assim está escrito: "Deus é espírito..." (João 4.24a). O apóstolo Paulo também faz essa afirmação: "O Senhor é o Espírito..." (2Co 3.17a). De maneira que essas declarações nos levam a concluir que Deus não tem forma, ou seja, não tem corpo físico (braços, pernas, cabeça...), então, é certo que Ele não nos criou exatamente iguais a Si mensmo.


  Com base no que os textos bíblicos nos revelam sobre Deus, temos que responder a pergunta do inicio sob o prisma da divindade do Senhor. Ninguém é igual a Deus (2Sm 7.22), o Senhor Deus é único!(Dt 4.35; 6.4). Assim, nunca seremos totalmente idênticos a Ele, porém expressamos o Seu caráter quando demonstramos bondade, perdão, longaminidade, fidelidade e amor.

  Sendo mais específico, Deus criou o homem distintamente diferente dos outros seres que Ele já tinha criado, o homem foi criado para ser imortal, o Senhor fez dele uma imagem de Sua própria eternidade, ao homem foi dado privilégios e responsabilidades sobre a criação, a ele foi concedido atributos divinos e liberdade de escolha (antes da "queda"), de forma que ele possuia várias características semelhantes a do seu Criador.

  Quando Deus diz "...à nossa imagem..." isso determinou algo peculiar que, de todas as criaturas, só o homem (Adão) tinha o privilégio, a saber, um relacionamento ímpar com Deus. Isso implica que ao homem como ser vivo foi concedida a capacidade por meio dos atributos divinos de se comunicar com o Senhor Deus. No que tange ao discernimento, o homem dotado de racionalidade, era semelhante a Deus justamente porque era capaz de raciocinar, tinha intelecto, vontade e sentimento. No aspecto moral, se assemelhava a Deus porque era bom e sem pecado.

  A queda do representante da humanidade (Adão), mudou alguns aspectos da imagem e semelhança com o Seu Criador, ele perdeu privilégios, o seu relacionamento peculiar com o Pai foi um deles; o seu trabalho e sustento agora seria algo pesado e sofrido; não mais seria eterno sobre a terra, ele agora iria morrer. Porém o Senhor em sua infinita misericódia e compaixão além de propiciar a redenção do homem lhe permitiu ficar com certos atributos que mesmo em sua forma decadente poderia ser restaurados e usados para novamente se relacionar com o Seu Criador.

  O pecado foi e é uma tragédia para a humanidade, o que era perfeito tornou-se imperfeito, o que era semelhante tornou-se quase que irreconhecível. Todavia, pela misericódia de Deus, ainda possuímos mesmo que desfigurada pelo pecado certos resquícios da imagem e semelhança do Criador. E pela Graça que nos foi concedida por Cristo Jesus, essa imagem e semelhança em nós pode ser restaurada, criada de novo. Paulo em sua segunda carta aos corítios diz: "Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação; as coisas antigas já passaram, eis que tudo se fez novo!" (2Co 5.17 - KJA)

 O nosso Senhor Jesus, quando foi desfigurado no seu martírio e cruscificação, operou a "reconfiguração" de nossa imagem diante do Pai, agora podemos ser a imagem e semelhança perfeita de Deus em Cristo Jesus, pois ele é a imagem de Deus Pai. Jesus e Deus são UM (Jo 17.22), assim, aquele que é um com Cristo é também um com Deus o Criador (Jo 17.21; Gl 3.28). De forma que agora podemos verdadeiramente expressar as características que nos assemelham a Deus.

  Então, pois, lovemos a Deus por tamanha graça, sejamos perfeitos em amor como o Pai que está nos céus (Mt 5.48) com a ajuda do Espírito Santo para glória de Cristo Jesus. 

  Amem!!!



Por: Romildo C. Santos


O Evangelho de Marcos

Marcos 4. 13-20

13 Então Jesus lhes perguntou: "Vocês não entendem esta parábola? Como, então, compreenderão todas as outras parábolas?
14 O semeador semeia a palavra.
15 Algumas pessoas são como a semente à beira do caminho, onde a palavra é semeada. Logo que a ouvem, Satanás vem e retira a palavra nelas semeada.
16 Outras, como a semente lançada em terreno pedregoso, ouvem a palavra e logo a recebem com alegria.
17 Todavia, visto que não têm raiz em si mesmas, permanecem por pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandonam.
18 Outras ainda, como a semente lançada entre espinhos, ouvem a palavra;
19 mas quando chegam as preocupações desta vida, o engano das riquezas e os anseios por outras coisas, sufocam a palavra, tornando-a infrutífera.
20 Outras pessoas são como a semente lançada em boa terra: ouvem a palavra, aceitam-na e dão uma colheita de trinta, sessenta e até cem por um".

18. OUVINTES QUE NÃO COMPREENDEM A MENSAGEM

O mundo como sociedade hoje não está muito diferente daqueles dias em que Jesus pisou a terra no que tange entender a mensagem do evangelho. Para essa geração a Bíblia é ultrapassada, um livro antigo que não se encaixa nesse tempo moderno.

13. A pergunta de Jesus é um chamado a reflexão dos seus ouvintes, que não conseguiam entender uma explicação simples sobre o Reino de Deus. Como então compreenderiam coisas mais complexas?  A resposta a essa indagação é que as pessoas daquela época, assim como muitas hoje, estavam com seus corações endurecidos, ocupadas em demasia com as coisas do mundo, desejosos por satisfazer a carne, de tal forma que estavam cegos e não podiam ver e nem compreender os princípios ensinado por Cristo.

14-20. Jesus então, cheio de compaixão pelos seus, passa a ensinar, a revelar, o que significava cada elemento que constituía a parábola, explicando detalhadamente a analogia do semeador, do cominho, das aves, da semente...e tal revelação é dada apenas para alguns, àqueles que Deus escolheu.




Por: Romildo C. Santos
REFERÊNCIAS:
AME.O Livro de Marcos. Santo André, SP. Ed. Mundo Cristão. 2015.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

O Evangelho de Marcos


Marcos 4. 1-12

1 E outra vez começou a ensinar junto ao mar, e ajuntou-se a ele grande multidão; de sorte que ele entrou e assentou-se num barco, sobre o mar; e toda a multidão estava em terra junto ao mar.
2 E ensinava-lhes muitas coisas por parábolas e lhes dizia na sua doutrina: 
3 Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear.
4 E aconteceu que, semeando ele, uma parte da semente caiu junto ao caminho, e vieram as aves do céu e a comeram.
5 E outra caiu sobre pedregais, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda.
6 Mas, saindo o sol, queimou-se e, porque não tinha raiz, secou-se.
7 E outra caiu entre espinhos, e, crescendo os espinhos, a sufocaram, e não deu fruto.
8 E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro, sessenta, e outro, cem. 
9 E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.
10 E, quando se achou só, os que estavam junto dele com os doze interrogaram-no acerca da parábola. 
11 E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do Reino de Deus, mas aos que estão de fora todas essas coisas se dizem por parábolas, 
12 para que, vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam, para que se não convertam, e lhes sejam perdoados os pecados. 

17 O REINO DE DEUS, MISTÉRIO REVELADO
Os seguidores de Jesus deveriam estar muito atentos ao que o ele ensinava, pois, a maneira que Cristo passou a ensinar as verdades do Reino de seu Pai exigiria dos ouvintes muita atenção e interesse, para não dizer iluminação divina.
Jesus foi o mestre por excelência, o maior contador de histórias do mundo. Usava as imagens com perícia e lançava mão de coisas simples para ensinar lições profundas.

1-3. O local onde Jesus apresentou uma das primeiras parábolas foi à beira-mar, que se presume seja o Mar da Galiléia. Uma multidão o apertava o que obrigou o Senhor a falar ao povo de dentro de um barco um pouco afastado da praia.

4. O solo à beira do caminho. Além de ser típico da região, o solo pode ficar endurecido com a passagem de muitos pés, assim, a semente ficou na superfície à vista de todos, e as aves a comeram. 

5, 6. O solo rochoso. Aqui não se trata de terra contendo pedras, mas uma grande rocha coberta com fina camada de terra. O calor do sol primeiro transformou esse solo em um local bom para uma rápida germinação e, a seguir, em uma área muito quente que secou a tenra plantinha. 

7. O solo com espinhos. Esses espinhos representam ervas daninhas espinhosas. Não havia arado que conseguisse arrancar as suas raízes de até trinta centímetros de profundidade. Em alguns lugares, esses espinheiros formavam uma cerca viva fechada, no meio da qual alguns pés de cereal até conseguiam crescer, mas ficavam medíocres e não carregavam a espiga.

8. O solo bom. Essa é a boa terra, a maior parte da semente foi semeada nesse tipo de solo. Vingou e cresceu. Não foi o fruto que vingou. Esses dois particípios referem-se à palavra outra, e, portanto, foi a semente que cresceu. 

9-12. O mistério. As parábolas eram o meio pelo qual Jesus passou a ensinar os mistérios Reino de Deus aos seus seguidores. O mistério é aquilo que o homem não pode conhecer à parte da revelação divina. Esse mistério é revelado a uns e ocultado a outros. As parábolas eram janelas abertas para a compreensão de uns e portas fechadas para o entendimento de outros. O mistério do reino é em última instância a mensagem total e completa do Evangelho (conf. Rm. 16:25, 26). O propósito das parábolas era instruir os neófitos sem revelar os pontos centrais da instrução àqueles que estavam de fora.



Por: Romildo C. Santos


REFERÊNCIAS:
AME.O Livro de Marcos. Santo André, SP. Ed. Mundo Cristão. 2015.
LOPES, Hernandes Dias. Comentários Expositivos Hagnos.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

"Mas o que me der ouvidos habiará seguro, tranquilo e sem temor do mal". PROVÉRBIOS 1:33

O amor divino é declarado evidente quando brilha em meio a condenações. Oportuna é a estrela solitária que sorri através das fendas das nuvens estrondeantes; radiante é o oásis que floresce no deserto de areia; tão oportuno e tão radiante é o amor em meio à ira. Quando os israelitas provocaram o Altíssimo com sua idolatria contínua, Ele os puniu impedindo o orvalho e a chuva, de modo que sua terra fosse visitada por uma violenta inanição; mas ainda que assim tenha feito, teve o cuidado de garantir que Seus escolhidos estivessem protegidos. Se todos os outros ribeiros estiverem secos, ainda haverá um reservado para Elias; e quando isto falhar, Deus ainda preserva para ele um lugar de sustento. Deus não tinha apenas um "Elias", mas tinha um remanescente conforme a eleição da graça,  que estava escondido em grupos de cinquenta em uma caverna, e ainda que toda a nação estivesse sujeita à fome, estes grupos na caverna eram alimentados, e alimentados também com o que vinha da mesa de Acabe por Obadias, fiel mordomo de Deus temente a Ele. Extraiamos disto a conclusão: independentemente do que aconteça, o povo de Deus está seguro. Ainda que tremores balancem a Terra sólida, os céus se partam em dois, e o cristão esteja no meio da ruína dos mundos, ele estará tão seguro como na mais calma hora de descanso. Se Deus não pode salvar Seu povo debaixo do céu, os salvará no céu. Se o mundo se tornar quente demais para mantê-los, o céu, então, será o lugar de seu acolhimento e sua segurança. Tenha confiança quando ouvir sobre guerras e rumores de guerras. Não deixe que a agitação o aflija, mas reserve-se do medo e do mal. O que quer que venha sobre a terra, você estará seguro debaixo das amplas asas de Jeová. Permaneça na promessa dele; descanse em Sua fidelidade e desafie o futuro mais obscuro, pois não há nada nele tão temível para você. A sua única preocupação deveria ser demonstrar ao mundo a bem-aventurança de escutar atentamente a voz de sabedoria.




REFERÊNCIA:
Spurgeon, Charles Haddon - manhã e noite: meditações diárias, Charles Haddon Spurgeon.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

"...no verão e no inverno, sucederá isto." ZACARIAS 14:8

As torrentes de água viva que fluem  de Jerusalém não se esgotam devido ao ressecante calor do solstício de verão, assim como não são congeladas pelos frios ventos do tempestuoso inverno. Alegre-se, ó minh'alma, na desobrigação de comprovar a fidelidade do Senhor. As estações mudam e você muda, mas o seu Senhor permanece eternamente o mesmo e as torrentes de Seu amor são tão profundas, tão amplas e tão plenas como sempre foram. Os rigores das procupações de trabalho e provações mordazes me fazem necessitar das refrescantes influências do rio de Sua graça; posso ir subitamente e beber da fonte inesgotável até que me sacie, pois emana abundantemente no verão e no inverno. As fontes superiores nunca são escassas e, louvado seja o nome do Senhor, as fontes inferiores também não falham. Elias encontrou Querite seca, mas Jeová ainda era o mesmo Deus de providência. Jó disse que seus irmãos eram como ribeiros enganosos, mas encontrou em seu Deus um transbordante rio de consolo. O Nilo é a grande segurança do Egito, mas suas cheias são variáveis; nosso Senhor é eternamente o mesmo. Ao desviar o Eufrates, Ciro tomou a cidade da Babilônia, mas nenhum poder, humano ou infernal, pode desviar o fluxo da graça divina. As rotas de rios antigos foram todas encontradas secas e assoladas, mas as torrentes que surgem nas montanhas da soberania e amor infinito de Deus estarão sempe cheias até a margem. Gerações dissolveram-se, mas o curso da graça é inalterado. O rio de Deus pode cantar mais verdadeiramente do que o ribeiro no poema -                                                            
                                                  Homens vêm, homens vão, 
                                                  mas eu fluo para sempre.


Como é feliz a minha alma por ser guiada junto de tais águas tranquilas! Nunca vagueie por outras torrentes a fim de que não ouça a repreensão do Senhor: "Agora, pois, que lucro terás indo ao Egito para beberes as águas do Nilo?"


REFERÊNCIA:
Spurgeon, Charles Haddon - manhã e noite: meditações diárias, Charles Haddon Spurgeon.





sexta-feira, 19 de junho de 2020

O Evangelho de Marcos


Marcos 3. 20-35

20 E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão.
21 E, quando os seus parentes ouviram isso, saíram para o prender, porque diziam: Está fora de si.
22 E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Tem Belzebu e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios.
23 E, chamando-os a si, disse-lhes por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás?
24 Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir;
25 e se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não pode subsistir.
26 Se Satanás se levantar contra si mesmo, e for dividido, não pode subsistir; antes, tem fim.
27 Ninguém pode roubar os bens do valente, entrando-lhe em sua casa, se primeiro não manietar o valente; e, então, roubará a sua casa.
28 Na verdade vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e toda sorte de blasfêmias, com que blasfemarem.
29 Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo.
30 ( Porque diziam: Tem espírito imundo. )
31 Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando de fora, mandaram-no chamar.
32 E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram e estão lá fora.
33 E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos?
34 E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.

35 Porquanto qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.

16. A multidão dificultava o continuar

Percebe-se três barreiras que se levantam e que dificultam o desenvolver do ministério de Jesus, as multidões, os religiosos e a própria família.

1. A multidão (Mt 12.22,23). Jesus acabara de curar um endemoninhado cego e mudo. Diante desse sinal evidente do poder de Jesus, a multidão ficou admirada e começou a ponderar sobre o fato de que Jesus era o Messias. A admiração da multidão desencadeou a hostilidade dos escribas.

2. A família (3.21). A família de Jesus vem para prendê-lo, por julgar que estava fora de si. Eles querem colocar Jesus debaixo de uma custódia protetora. Jesus estava tão atarefado que não tinha tempo nem para comer (3.20). Por essa razão, sua família chegou a duvidar da sua sanidade mental. Para eles, quem serve aos outros sem ter tempo para si mesmo é incompetente para cuidar da sua própria vida.

3. Os religiosos (3.22). Os escribas, tomados de inveja, diante da crescente popularidade de Jesus, resolvem dar mais um passo na direção de impedir que o povo o seguisse. Eles já haviam censurado Jesus de ser blasfemo pelo fato dele ter perdoado pecados. Consideraram-no um transgressor do sábado. Eles aliaram-se com os herodianos para matá-lo. Agora, dizem que Jesus está endemoninhado e possesso do maioral dos demônios. Os escribas acusam Jesus não apenas de estar possesso de um espírito imundo (3.30), mas de estar dominado por Belzebu, o maioral dos demônios (3.22). Os escribas estavam transformando a encarnação do Deus misericordioso que visa redimir seu povo, em encarnação do maligno. Transformam Jesus num diabo que faz o bem, num diabo ainda mais ardiloso.

Os religiosos (escribas e fariseus), levaram seu ódio e inveja ao mais alto ponto, e, por assim agirem cometeram o pecado imperdoável, a blasfêmia contra o Espírito Santo.

A blasfêmia contra o Espírito é a atitude consciente e deliberada de negar a obra de Deus em Cristo pelo poder do Espírito e atribuir o que Cristo faz ao poder de Satanás. A blasfêmia constitui no fato de afirmar que o poder que age em Cristo não é o Espírito Santo, mas Satanás.

Pecar consciente e deliberadamente contra um conhecimento claro da verdade é evidência da blasfêmia contra o Espírito Santo, e por natureza, esse pecado faz o perdão ser impossível, porque a única luz possível é deliberadamente apagada.


Por: Romildo C. Santos

REFERÊNCIAS:
AME.O Livro de Marcos. Santo André, SP. Ed. Mundo Cristão. 2015.
LOPES, Hernandes Dias. Comentários Expositivos Hagnos.

sábado, 16 de maio de 2020

O Evangelho de Marcos

Marcos 3. 13-19
13 Jesus subiu a um monte e convocou para si aqueles a quem Ele queria. E eles foram para junto dele.
14 E escolheu doze, qualificando-os como apóstolos, para que convivessem com Ele e os pudesse enviar a proclamar.
15 E tivessem autoridade para expulsar demônios.
16 Ele constituiu, pois, os Doze: Simão, a quem atribuiu o nome de Pedro.
17 Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer, “filhos do trovão”.
18 E depois, André; Filipe; Bartolomeu; Mateus; Tomé; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu; Simão, o zelote;
19 e Judas Iscariotes, que o traiu.

15. O MESTRE ESCOLHE DOZE APÓSTOLOS

O Senhor Jesus no início de seu ministério terreno escolheu dentre muitos que o estavam seguindo 12 (doze) para andarem com ele mais próximo e aprenderem dele e assim pudesse posteriormente enviá-los a anunciar as boas novas e fazerem discípulos.

Esses doze que Jesus separou ele os chamou de apóstolos. Discípulo é um aprendiz, apóstolo é um enviado com uma comissão, um embaixador em nome do Rei.

Jesus só teve doze apóstolos. Os apóstolos foram os instrumentos para receberem a revelação de Deus e forma inspirados por Deus para o registro das Escrituras. Não há sucessão apostólica. Os apóstolos não tiveram sucessores depois que morreram. Um apóstolo precisava ter visto a Cristo ressurreto (1Co 9.1), ter tido comunhão com Cristo (At 1.21,22) e ter sido chamado pelo próprio Cristo (Ef 4.11). Os apóstolos receberam poder especial para realizar milagres como prova de sua credencial (At 2.43; 5.12; 2Co 12.12; Hb 2.1-4).




Por: Romildo C. Santos

REFERÊNCIAS:
AME.O Livro de Marcos. Santo André, SP. Ed. Mundo Cristão. 2015.
LOPES, Hernandes Dias. Comentários Expositivos Hagnos.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

O Evangelho de Marcos

Marcos 3. 7-12

7 E retirou-se Jesus com os seus discípulos para o mar, e seguia-o uma grande multidão da Galiléia, e da Judéia,
8 e de Jerusalém, e da Iduméia, e do Jordão, e de perto de Tiro, e de Sidom; uma grande multidão que, ouvindo quão grandes fazia, vinha ter com ele.
9 E ele disse aos seus discípulos que lhe tivessem sempre pronto um barquinho junto dele, por causa da multidão, para que o não oprimisse,
10 porque tinha sarado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham mal (flagelo) se arrojavam sobre ele, para lhe tocarem.
11 E os espíritos imundos, vendo-o, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: Tu és o filho de Deus.
12 E ele os ameaçava muito, para que não o manifestassem.

14. UMA GRANDE MULTIDÃO SEGUIA JESUS
Um grande grupo de pessoas seguia Jesus porque elas sabiam que ele poderia suprir, atender suas necessidades. Alguns já tinham visto os milagres e outras ouviram falar das maravilhas que ele havia feito.

A popularidade de Jesus era muito grande, e ao mesmo tempo em que os poderosos rejeitavam a Cristo, ele era procurado e desejados pelos necessitados e humildes do povo. E não só os judeus o procuravam também os gentios ouviram falar e o seguiam, eram pessoas de todas as regiões, vinham do Norte, Sul, Leste e Oeste.

As motivações das pessoas a irem até jesus eram diversas, alguns iam porque queriam ser curadas das suas enfermidades, outras por que queriam ser alimentadas, outras eram apenas curiosas, queriam ver os milagres, tinha as que foram apenas para ouvir os seus ensinamentos, mas não estavam dispostas a crer nele. Porém, outros foram para ouvir seus ensinos, serem curadas, creram e foram salvas.


Por: Romildo C. Santos

REFERÊNCIAS:
AME.O Livro de Marcos. Santo André, SP. Ed. Mundo Cristão. 2015.
LOPES, Hernandes Dias. Comentários Expositivos Hagnos.



sexta-feira, 24 de abril de 2020

A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA


2Temóteo 3.15-17
E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.
Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça,
Para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.

O compêndio conhecido como Bíblia Sagrada é a base da doutrina do cristianismo. A crença na inspiração divina das Sagradas Escrituras é fundamental para a sustentabilidade dos dogmas cristãos. De forma que o ensino doutrinário da inspiração divina da Escritura é o mais importante dentre todos os outros ensinos.

A Bíblia foi inspirada por Deus, e ela compõe a revelação especial do Criador, Cristo Jesus. Tudo o que devemos saber sobre Jesus está contido nas Sagradas Escrituras, tudo o que Deus revelou sobre si mesmo está ali. Sem as Escrituras não saberemos como agradar a Deus, como adorá-lo da maneira correta, como servi-lo.

A doutrina da inspiração divina é importante porque se a Bíblia não for inspirada por Deus perdemos tudo. Essa doutrina é evidente de Gênesis a Apocalipse, porém está mais clara no Novo Testamento. Paulo escrevendo a Timóteo confirma esse ensino: “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3.16).

As palavras inspiradas por Deus em 2 Timóteo 3.16 derivam de uma tradução grega que significa literalmente ‘sopradas por Deus”, perceba que “sopro” e “Espírito” no grego são a mesma palavra, o que significa que essa é uma maneira de dizer que a Escritura é um discurso que procede da boca do próprio Deus.

O texto em 2 Timóteo capítulo 3 ensina não só a inspiração, mas também ensina a inspiração plenária. O que isso significa? Significa que a inspiração é completa, total, plena, o seja, a Bíblia é inspirada em todas as partes, em todos os assuntos que ela aborda, não só nas questões doutrinárias, mas também na geografia, história, ciência e cultura.

Segunda Timóteo também nos ensina que as Escrituras por serem inspiradas é de grande eficiência para: doutrina, repreensão, correção, e instrução na justiça (vv. 15-17).

Assim, no que diz respeito a:
a)Doutrina: Nos ensina o caminho para salvação e de uma vida cristã correta;
b)Repreensão: Alerta do resultado final dos que estão em pecado trazendo de volta para o caminho da salvação;
c)Correção: Nos corrige dos erros na caminhada cristã nos mantendo no caminho;
d)Instrução: A palavra instrução é a mesma que disciplina em Efésios 6.4; instrução que nos leva a maturidade espiritual, a um crescimento em virtude.

Não existe nada mais vital, fundamental e necessário para vida do ser humano do que as Escrituras Sagradas, que são o único meio pelo qual o homem pode se tornar “sábio para Salvação pela fé em Cristo Jesus” (v.15).
Gloria a Deus por nos ter dado esse precioso tesouro, a Bíblia Sagrada.



Por: Romildo C. dos Santos

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Orar Sempre

Luca 18.1-8
1E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer,
2 dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava homem algum.
3 Havia também naquela mesma cidade uma certa viúva e ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário.
4 E, por algum tempo, não quis; mas, depois, disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens,
5 todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte e me importune muito.
6 E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.
7 E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?
8 Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?

  Um dos temas mais recorrentes na Bíblia é a oração, de Gênesis a Apocalipse se pode perceber tanto de forma implícita como explicita a importância de orar.

  A parábola do texto em questão nos ensina o quão importante é orarmos sempre e jamais desistir, o apóstolo Paulo enfatiza isso na sua primeira carta aos Tessalonicenses (Orai sem cessar - 2Tss 5.17).

  De forma geral o homem está na mesma posição da mulher da história narrada em Lucas. A viúva tinha um adversário, de igual modo a humanidade e em especial a igreja tem um adversário, o diabo (1Pe 5.8).

  Existe uma guerra sendo travada nas regiões espirituais (Ef 6.10-12), o homem não pode lutar sozinhos apenas com a força do seu braço, precisa de auxilio de reforço que vem do alto do único que pode fortalecê-lo e lhe dá a vitória, Deus o Senhor.

  O pecado nos enfraquece e o inimigo tenta nos enganar, procurando cegar nossa visão turvar nosso entendimento. A ajuda só pode ser pedida pela oração, precisamos estar em contato com o nosso comandante, ter contato com a fonte de nossa vida e força para prosseguirmos avante ganhando território e vencendo cada batalha. Eis o motivo porque os homens devem orar.

  O injusto juiz da narrativa em Lucas por fim julgou a causa da mulher viúva que o importunava, o texto diz, na verdade que ele o fez para que a mulher não voltasse mais a importuná-lo. Assim, a lição que Jesus nos passa aqui é que se um juiz injusto atendeu o pedido de uma pessoa que insistentemente o incomodava com o seu pedido, para dela se ver livre, quanto mais nosso Pai Celeste, que nos ama e nos quer bem!

  Então oremos, oremos e oremos mais, oremos em todo tempo, oremos sem cessar.



Por: Romildo C. Santos




segunda-feira, 6 de abril de 2020

O Evangelho de Marcos


Marcos 2. 23-28; 3.1-6

23 E aconteceu que, passando ele num sábado pelas searas, os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas
24 E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito
25 Mas ele disse-lhes: Nunca lestes o que fez Davi, quando estava em necessidade e teve fome, ele e os que com ele estavam
26 Como entrou na Casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu os pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, dando também aos que com ele estavam?
27 E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado.
28 Assim, o Filho do Homem até do sábado é senhor.

Cap. 3. 1-6
1 E outra vez entrou na sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada
2 E estavam observando-o se curaria no sábado, para o acusarem.
3 E disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e vem para o meio.
4 E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou matar? E eles calaram-se.
5 E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a mão, sã como a outra.
6 E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam.


13. JESUS É SENHOR ATÉ MESMO DO SÁBADO
O evangelho abre as portas da liberdade para os prisioneiros do legalismo. O Senhor Jesus oferece algo novo e verdadeiro, muito maior, superior, às regras e rituais da religiosidade.

O sábado se tornara um peso enorme sobre os ombros dos judeus, o que era para ser apreciado como benção do Senhor passou a ser um ato religioso com regras escravizastes e opressoras.

Os fariseus tornaram o sábado judaico em um carrasco do homem, um fardo insuportável em vez de um elemento terapêutico. Eles tinham acrescentado à lei 39 regras sobre a maneira de guardar o sábado, tornando a sua observância um fator escravização e opressor.

O incidente ocorrido no episódio dos discípulos colhendo e debulhando o milho para comerem num dia de sábado, fazendo com que os fariseus nos acusem de estarem quebrando a lei e assim cometendo um pecado mortal cria uma oportunidade para Jesus ensinar lições importantes:

1ª - Os discípulos não estavam fazendo algo proibido (2.23,24). A prática de colher espigas nas searas para comer estava rigorosamente de conformidade com a lei de Moisés (Dt 23.24, 25). Mas os escribas e fariseus estavam escondendo a verdadeira lei de Deus debaixo da montanha de tradições tolas que eles tinham fabricado.

2ª - O conhecimento da Palavra é o meio de nos livrarmos do legalismo (2.25,26). Jesus cita a Escritura para os fariseus e mostra como Davi quebrou a lei cerimonial comendo com seus homens os pães da proposição só permitidos aos sacerdotes (1Sm 21.1-6). Só os sacerdotes podiam comer esse pão da proposição (Lv 24.9), mas a necessidade humana prevaleceu sobre a lei cerimonial.

Ora, se Davi tinha o direito de ignorar as provisões cerimoniais, divinamente ordenadas, quando a necessidade exigia, não teria Jesus, o Filho de Deus, num sentido muito mais evidente, o direito, sob as mesmas condições de necessidade, de deixar de lado os regulamentos sabáticos não autorizados, feitos pelo homem?

O dia do descanso nunca é tão sagrado como quando é usado para prestar ajuda aos necessitados. O árbitro final com respeito aos ritos sagrados não é o legalismo, mas o amor.

3ª – O homem vale mais do que os ritos sagrados (2.27). O sábado foi feito para o bem físico, mental e espiritual do homem. Ele foi dado como uma bênção e não como um fardo. Esse foi o propósito que o sábado foi criado por Deus.

Deus não criou o homem por causa do sábado, mas o sábado por causa do homem. O homem não foi criado por Deus para ser vítima e escravo do sábado, mas o sábado foi criado para que a vida do homem fosse mais plena e feliz.

Jesus está dizendo com isso que a religião cristã não consiste de regras. As pessoas são mais importantes que o sistema. A melhor maneira de adorar a Deus é ajudando as pessoas. A melhor maneira de fazer uso das coisas sagradas é pondo-as a serviço dos que padecem necessidade.

4ª - O senhorio de Cristo traz liberdade e não escravidão (2.28). Jesus é o Senhor do sábado. Seu senhorio não é escravizante nem opressor. O legalismo é um caldo mortífero que envenena, asfixia e mata as pessoas. Ele é vexatório e massacrante. Chegou a ponto de transformar o que Deus criou para aliviar o homem, o sábado, num tirano cruel. Jesus veio para estabelecer sobre nós seu senhorio de amor. Agostinho disse que quanto mais servos de Cristo somos, mais livres nos sentimos. Jesus é maior do que o templo (Mt 12.6), maior que Jonas (Mt 12.41), maior que Salomão (Mt 12.42) e maior que o sábado (2.28).

No capitulo 3 nos mostra mais um episódio que retrata a religiosidade dos fariseus. E nesse momento aprendemos valiosas lições do Senhor Jesus. Aqui Cristo nos mostra duas formas de religião, uma que é vida e outra que é morte. Persebemos também que Jesus tinha o costume e a legria de estar indo sempre à sinagoga, ele era assíduo na casa de Deus.  

Quando Jesus entrou naquela sinagoga, Ele viu duas classes de pessoas:
Primeiro, ele viu gente mirrada. Havia um homem doente, encolhido, machucado pela vida, com a mão direita seca naquela sinagoga. Possivelmente aquele homem foi trazido pelos próprios fariseus, com o objetivo de o acusarem. O melhor que ele tinha estava seco e mirrado. Há pessoas mirradas ainda hoje no meio da congregação, gente com deformidades físicas, emocionais e morais. Gente que carrega o peso dos traumas e das avassaladoras deficiências.

Segundo, ele viu gente cética. Ali estavam os escribas e fariseus observando Jesus (Lc 6.7). Esses fiscais da vida alheia o seguiam por onde quer que Ele fosse a fim de encontrar um motivo para acusá-lo (2.6,7,16,24; 3.2). Eles não estavam na sinagoga para buscar a Deus nem para ajudar o próximo. Eles foram à Casa de Deus para criticar e acusar em vez de alegrar-se com a libertação dos cativos. Há muitas pessoas que ainda hoje lotam as igrejas não para adorar a Deus, mas para observar a vida alheia e criticar o pregador.

O texto nos mostra que os fariseus não valorizavam a vida humana, eles dão mais valor aos rituais religiosos, esquecendo-se da misericódia de Deus. Os escribas e fariseus estavam prontos a tirar uma ovelha de um buraco, no sábado, mas não aceitavam que aquele homem fosse curado no sábado. Para eles, uma ovelha valia mais que um homem.Jesus etretanto valorizava mais a vida do ser humano do que ritos e legalismo religioso. 


Por: Romildo Coelho dos Santos.
REFERÊNCIAS:
AMME. O Livro de Marcos. Santo André, SP. Ed. Mundo Cristão. 2015.
LOPES, Hernandes Dias. Comentários Expositivos Hagnos.


quinta-feira, 2 de abril de 2020

DO QUE DEVO RECLAMAR ?


TEXTO: AMÓS 3.6 / LAMENTAÇÕES 3.38

Tocar-se-á a buzina na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá qualquer mal à cidade, e o SENHOR não o terá feito? (Am 3.6)

Acaso, não procede do Altíssimo tanto o mal como o bem? (Lm 3.38)

Os textos acima citados falam a respeito de calamidades, tragédias, sofrimentos que o homem pode passar (como essa do COVID-19).

Quero iniciar abordando um conceito que existe no meio cristão:

SATANÁS, É O RESPONSÁVEL, O AUTOR DE TODO O MAL QUE ACONTECE NO MUNDO.
Com base em uma interpretação sobre a revelação progressiva das Escrituras alguns teólogos argumentam que os escritores do velho testamento não tinham uma noção correta de quem era Satanás, então, eles atribuíam todo o mal que se sucedia ao homem a autoria de Deus.

Em outras palavras, o que eles afirmam é que por causa falta de noção ou conhecimento dessa figura maligna, os autores da AT equivocamente atribuíam todo o mal, desgraças, calamidades a Deus.

QUAL O PROBLEMA DESSA INTERPRETAÇÃO?
Existem dois problemas quanto a essa afirmação:

1º) Atribui erros ao que os escritores escreveram; o que significa dizer que os escritores por terem noções teológicas erradas, por ter conceitos errados e não terem a noção correta inseriram esses erros nas Sagradas Escrituras que eles impelidos pelo Espírito Santo escreveram.

2º) Anula a doutrina da inerrância da Bíblia; ora se os autores cometeram erros ao escreveram segue-se, então, o raciocínio de que a Bíblia contém erros e de que não é inspirada, de que os autores não foram guiados por Deus nessa obra.

A CONFUSÃO NA INTERPRETAÇÃO
O erro interpretativo se dá porque os que defendem essa tese dizem que a revelação progressiva ou incompleta do AT é também uma revelação incorreta!

Isso é um erro! É claro que a revelação no AT está incompleta, a revelação de Deus se completa no NT. Porém por ser incompleta a revelação no AT não significa que ela é incorreta, pelo contrário ela é plenamente, totalmente correta! O Espirito Santo foi o condutor dos escritores de toda a Escritura. Vejamos o que diz Pedro em sua carta: 

“sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.”  (2Pe 1.20,21).

Dito isso voltemos agora a:

A FALHA NO CONCEITO INICIAL (SATANÁS COMO AUTOR DE TODOS OS MALES)
Como disse no início os que defendem essa tese, dizem que os autores do AT, bem como os que viviam naquela época não tinham conhecimento de um ser chamado Satanás ou no mínimo não tinham uma noção clara desse ser maligno. (Essa era a base para defesa do argumento de Deus como autor do mal).

Porém dizer que os autores do AT, principalmente os profetas e escritores da Bíblia não tinham nenhuma noção de quem era Satanás é um ERRO! Eles tinham, sim, noção da figura de Satanás como um ser maligno.

Vejamos alguns textos Bíblicos que demonstram essa tese:

NO PERÍODO PATRIARCAL
Em Gn 3.1-5 – A serpente como figura de Satanás;
Jó 1.6 e 2.1 – Satanás aparece de forma clara;

NO PERÍODO DOS REIS DE ISRAEL
1Cr 21 – Satanás incita Davi a fazer o censo de Israel;
Zc 3.1,2 – O Senhor repreende Satanás nesse texto.

Assim, esses e outros textos nos deixa claro que os autores, leitores, ouvintes, as pessoas na época dos escritos bíblicos e anteriores tinham, sim, conhecimento desse ser do mal que é Satanás. Entretanto eles atribuíam a autoria de todas as calamidades, desastres, ruinas... de todo o mal a Deus o Criador.

Sim, mesmo que essa verdade nos incomode, Deus é tanto o planejador como o executor de toda calamidade que sobrevenha sobre o mundo.

UMA QUESTÃO QUE DEVE SER RESPONDIDA: QUEM FOI, ENTÃO, QUE CAUSOU TODO A MAL A JÓ?
A Bíblia relata no livro de Jó que foi Satanás que executou, que causou toda a desgraça na vida de Jó, foi ele que agiu e trouxe as catástrofes, morte e doença...realmente o texto bíblico é claro com relação a tudo isso.

Porém, se o leitor diligente não parar nos capítulos 1 e 2 e for até o final do livro vai se surpreender. Vejamos, então, Jó 42.11:


“Então, vieram a ele todos os seus irmãos e todas as suas irmãs e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e cada um, um pendente de ouro.”


Veja: Deus foi quem trouxe todo mal sobre Jó!
O Senhor foi a fonte primária de tudo, Satanás foi a fonte secundária.
Satanás foi apenas um instrumento nas mãos de Deus para cumprir a Sua vontade.

DIANTE DESSA VERDADE QUAL É, ENTÃO, NOSSA ATITUDE?
Vejamos o que diz o profeta Jeremias em Lamentações:
Lm 3.38 - Porventura da boca do Altíssimo não sai o mal e o bem?
Lm 3.39 - De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados.

A lição que o profeta nos deixa aqui é: O Senhor é Soberano dele provem tanto as desgraças como as bem-aventuranças, tanto a maldição como as bênçãos, não posso reclamar dessas coisas.

Só posso reclamar em forma de lamentação dos pecados que tenho cometido. Assim, a causa das minhas murmurações, se elas existirem que seja a lamentação pelos meus pecados. Que eu me arrependa dos meus erros e clame a Deus, o Soberano Senhor pela misericórdia e perdão.


Amem!

Por Romildo C. do Santos