18
Ora, os discípulos de João e os fariseus jejuavam; e foram e disseram-lhe: Por
que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, e não jejuam os teus
discípulos?
19
E Jesus disse-lhes: Podem, porventura, os filhos das bodas jejuar, enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o
esposo, não podem jejuar.
20
Mas dias virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão naqueles
dias.
21
Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o mesmo
remendo novo tira do velho, e a rotura fica maior.
22
E ninguém põe vinho novo em odres velhos; doutra maneira, o vinho novo
rompe os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas o vinho novo
deve ser deitado em odres novos.
12.
O NOIVO ANIDA ESTÁ COM OS SEUS CONVIDADOS
O
Senhor Jesus fazia a vontade do Pai, e, por isso O alegrava, de modo que
semelhantemente também alegrava àqueles que com ele estavam.
Nessa
passagem o Mestre é interrogado pelos fariseus sobre a questão do jejum, pois
não via os discípulos do Senhor jejuarem como eles (os fariseus jejuavam duas
vezes por semana). A lei determinava apenas um único jejum anual, o dia da
expiação (Lv 16.29-34; Jr 36.6), porém os escribas e fariseus acrescentaram a
tradição dos homens à Lei Mosaica, exigindo outras práticas de jejum.
A
religião judaica havia transformado a vida num fardo pesado e os ritos sagrados
em instrumentos de tristeza e opressão. Os discípulos de João e os fariseus
ficaram escandalizados com o estilo de vida dos discípulos de Jesus. Os
fariseus jejuavam para mostrar sua piedade, os discípulos de João para mostrar
sua tristeza pelo pecado.
Eles
jejuavam para serem vistos pelos homens e para atraírem a atenção de Deus. Eles
faziam do jejum o palco de um teatro onde apresentavam o show de uma piedade
que deveria encantar a Deus e impressionar os homens.
É
bom destacar que Jesus não estava contra o jejum. Ele mesmo jejuou quarenta
dias e ratificou o jejum voluntário (Mt 9.15).
A
vida que Jesus oferece é como uma festa de efusiva alegria (2.19). A vida
cristã é como uma festa de casamento e não como um funeral. A festa de
casamento era uma celebração de alegria e não de tristeza. A piedade farisaica
era medida pela tristeza do jejum; a piedade cristã manifesta-se na alegria da
presença do noivo com a Igreja.
As
bodas de casamento era a semana mais feliz da vida de um homem. Para essa
semana de felicidade, os convidados especiais eram os amigos do noivo e da
noiva, chamados de os filhos da câmara nupcial.
Os
convidados às festas de bodas estavam dispensados da obrigação de jejuar. Jesus
compara os seus discípulos com os convidados para essa festa das bodas. Jesus
veio para nos trazer vida abundante (Jo 10.10). A vida cristã deve ser a
fruição de uma alegria inexplicável e cheia de glória. Essa nova ordem trazida
por Jesus deixa para trás o legalismo farisaico e inaugura um novo tempo de
liberdade e vida plena.
Nos
versos 21 e 22 Jesus mais uma vez se utiliza de figuras de linguagem para
ensinar verdades espirituais. Aqui ele usa a figura do remendo novo em tecido
velho e do vinho novo em odres velhos.
O
Remendo: a
vida cristã não é um remendo ou reforma do que está velho, mas algo totalmente
novo (2.21). Um remendo novo num pano velho abre uma fissura ainda maior. O
cristianismo não é uma reforma do judaísmo nem um remendo das práticas
judaicas, não é uma mistura do velho com o novo A vida cristã é uma nova vida,
algo radicalmente novo.
O
evangelho transforma e liberta. O evangelho é a palavra de vida; o judaísmo com
seus preceitos legalistas era letra morta. O evangelho liberta, o legalismo
mata; o evangelho salva, o legalismo faz perecer.
Os
Odres: a
vida cristã não pode ser acondicionada numa estrutura velha e arcaica (2.22).
Na Palestina, o vinho era guardado em odres de couro. Quando esses odres eram
novos possuíam certa elasticidade, mas à medida que iam envelhecendo, ficavam
endurecidos e perdiam a elasticidade. O vinho novo ainda está em processo de
fermentação. Isso significa que os gases liberados aumentam a pressão. Se o
couro é novo, cederá à pressão, mas se é velho e sem elasticidade, é possível
que se rompa e se perca tanto o vinho quanto o odre. O vinho do cristianismo
não pode ser acondicionado nos odres velhos do judaísmo.
O
cristianismo requer novos métodos e novas estruturas. Não podemos ter o coração
duro como os odres ressecados pelo tempo. Precisamos manter nosso coração
aberto à mensagem transformadora do evangelho.
Por:
Romildo Coelho dos Santos.
REFERÊNCIAS:
AMME.
O Livro de Marcos. Santo André, SP. Ed. Mundo Cristão. 2015.
LOPES,
Hernandes Dias. Comentários Expositivos Hagnos.
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